1 de setembro de 2010

Encáusticas de Alex Carrari: entre o fogo e a cor



A busca deste pintor de ofício e alma, mais que formal é ética. Da escolha do tema à revisão dos procedimentos e dos objetos retratados tudo evoca a repulsão de uma fórmula e de um caminho fácil. A procura é por algo não definível, apenas pelo meio e não pelo fim.

Alex medita sobre símbolos da alma humana, sobre a força e a fraqueza afloradas pela fisionomia. O que os rostos revelam sobre o espírito? Este filósofo da pintura aceita as aparências como reveladoras do metafísico e se alicerça numa família espiritual que não evidencia a fácil visualidade, com a sedução evidente. Seus alicerces estão em Rouault, Morandi, Soutine, Redon, ...simbolistas, expressionistas, metafísicos. Óbvio de não se tratar de um pintor de formas fáceis.

Optou pela ancestral técnica da encáustica como veículo para suas idéias. O processo utilizado pelos pintores retratistas de Fayum, no Egito romanizado consiste em aglutinar pigmentos com uma mistura de ceras quentes. Tal escolha evidencia a opção por um processo construtivo da pintura, pela elaboração da imagem por camadas de pinceladas certeiras que estabelecem uma interface com os relevos, pode-se pensar em pintura escultórica.

Nenhum dos artistas que servem de esteio e referência oferece o apelo visual tampouco algum glamour biográfico, antes uma existência silenciosa e a admiração por parte dos inteligentes. O processo é antes um encontro e uma luta entre o fogo e a cor, metaforicamente entre o espírito e a matéria, que uma solução e uma regra.



George Rembrandt Gutlich, 04 de abril de 2009.


1 comentários:

Edson Moura disse...

Olá Carrari, vai demorar um pouco para eu me acostumar com a sua linguagem, mas isto não tem problema, pois, a arte que se apresenta por suas mãos, falam a linga do "belo"...e isto basta,

Abraços