
Suave e bela entremeaste teus caminhos aos meus,
juntou-se à mim desde as roupas até as raízes,
fez-se em meu percurso
o chão que educa meus cravos,
o mar de sonhos onde meu coração navega,
o campo verde onde descanso ao regresso de minhas dores.
Por caminhos aromáticos te dirigiste à minha alma,
obstinadamente aprendeste os passos que à meus recônditos te levaram.
Subjugaste pedras, fumaça, e cipoais flagelantes,
com teu fresco dom da terra.
Formou ao sol tua presença celeste,
abrindo em meu coração um caminho queimante.
Como um bom proustiano, em minha economia de vozes,
revivo o passado recente, recordando em meu coração
tua irascível fragrância invadindo meu território
como um viço ramo de sombra no mais alto calor do dia,
um silencioso fio d’água que rega meus secos veios,
uma espessa gota de mel que me adoça a boca e o sangue.
Teu coração florescido, teus olhos verdadeiramente vivos,
teu cabelo ensolarado, teu rosto delicado qual vidro polido,
tua voz terna como plumas de paineira,
são a multiplicação do meu universo.
Amo-te como o pedaço de terra que tu és.
És toda a minha geografia, onde quero percorrer todas as minhas andanças.
Teus traços marcam minha noite como as linhas da face oculta da lua;
Sutil, transparente, percebidas somente sob muita atenção e cuidado.
Por tua causa em meus sonhos não sou mais um menino perdido,
não sofro mais sem primavera.
Sou-te grato por me salvar em teu espaço cintilante,
espaço cavado pelos ventos de tua virtude,
onde ainda consumo tuas pétalas envolvido pelos poderes do teu ar,
todo invadido por tua deslumbrante claridade interna.
O amor não pode jamais voar sem que tenha de se deter
aqui ou ali para alimentar-se de beijos profundos.
Ada, o amor crepita em teu colo e se enfeita com teus trajes femininos,
onde nossas duas vidas têm da natureza aquilo que sobrevive com tanta força pura;
inquebrantável vontade de que as campinas em que sempre nos achamos
guarde o pequeno infinito que sem trégua acumulamos,
eu em março você em setembro.
Em tua extensão viveremos a permanência do amor,
Até a extinção do ardor em nossas veias.
Até quando nossas mãos se esquecerem de voar e dormirem,
até quando nosso peito se deter e nossa boca ficar sem palavras,
até quando mudarmos de forma, virarmos grãos cambiantes.
Até tudo isso acontecer vamos nos amar no tempo
como ondas espumantes, sopradas espumas flutuantes.
Alex Sandro Carrari
2 comentários:
Oi Carrari //
"Ada, o amor crepita em teu colo e se enfeita com teus trajes femininos".
A jovem da foto é sua simpática e maravilhosa esposa ?
Copiei,abraço do tito from brasília.
muito muito lindo, parabéns aos dois. bjos
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